sexta-feira, julho 03, 2009

Do Prazer

Querer prazer. É bom querer prazer? Sim e não, depende do ponto de vista. Queres o teu prazer ou o prazer de outrem? Se queres o teu prazer mais vezes que queres o prazer dos outros, tenho a dizer-te duas coisas, a primeira é que és reles, a segunda é que és como eu e toda a humanidade. Por outro lado se queres o prazer de outro é bom. Mas espera, deixa-me clarificar, este querer o prazer de outro não pode ter uma segunda intenção em receber prazer por tabela um pouco de prazer.
O nosso mal sempre foi olhar para nós mais do que para os outros. Este sentimento é o mais devastador que existe, por ele vêm toda a sorte de mal, pois faz-nos ignorar tudo o mais para nos focarmos unicamente em nós. A consequência é que nunca estamos satisfeitos e queremos sempre mais e mais prazer. O egoísmo é insaciável.
Porém o interessante é que as pessoas mais altruístas são as mais satisfeitas e saciadas, minto, elas ficam viciadas em amar, isto é, vivem. Quando eu penso mais nos outros do que em mim sinto-me realizado e a cumprir o propósito da minha vida. Quando me aniquilo em favor dos outros descubro o sentido da vida, pois se a vida fosse para se viver num sentimento egoísta serias o único ser na terra.
Talvez seja por isso que Deus criou seres, porque ele é todo o amor, todo altruísta, todo dar.
O mundo anda cada vez mais louco e mais desejoso de prazer, por outro lado nunca o procurou tanto. É que nos esquecemos do que deveríamos ter aprendido com os nossos pais (obrigado pais), porque se enquanto crianças nossos pais pensassem mais neles do que em nós, certamente já não existiríamos.
E para aqueles que se dizem Cristãos vejam aquilo que Paulo disse à comunidade de Filipos:
Que haja assim em vocês a mesma atitude que houve em Cristo Jesus, que, embora por natureza sendo Deus, não reivindicou o ser igual a Deus, mas desfez-se das suas regalias próprias, e tornando-se um ser humano, tomou uma posição de dependência, humilhando-se a ponto de se sujeitar voluntariamente à morte; não a uma morte vulgar, mas à morte da cruz.
Ou seja esqueceu o seu prazer para dar o prazer (a salvação) a outros.
Porque é que o mundo não está contente com o seu carro? É porque não dá boleia a ninguém. Porque é que o mundo não está contente com a sua casa? É porque nunca hospeda ninguém. Porque é que o mundo não está satisfeito com o parceiro sexual? É porque só o tem para lhe tirar prazer ao invés de lhe querer conferir prazer. Em suma, porque é que o mundo não está contente com nada? É porque não está disposto a dar-se a nada.
E é neste sentido que eu não gosto da expressão: "carpé diem". Não no sentido que temos de aproveitar bem a vida, mas no sentido de que a vida deve ser aproveitada rapidamente numa frenética busca de prazeres para saciar a minha carne em chamas. Em vez de aproveitarmos a existência para darmos algo melhor aos outros. Isto de aproveitar a vida só é bom quando damos da nossa vida a outros.
Mata esse teu ego à fome!

7 comentários:

Marcos Sabino disse...

gostei da reflexão

BeatoBlog disse...

gostei bastante!
Dta

Haqqaton disse...

"Verdadeiramente livre é quem voluntariamente se escraviza." - Ghandi

ou, na idéia de T.S. Eliot, o maior pecado que existe é o fazer a coisa certa pelo motivo errado. Praticar uma boa ação para satisfação de si e não de outrem.

Bom texto.

Mistérios, Magias ou Milagres. disse...

Que bom encontrar outras pessoas que compartilham as mesmas formas de pensar e sentir. Seu blog é maravilhoso. Gostaria de segui-lo se você permitir. Parabéns abraços Heudes

natenine disse...

Esteja à vontade

Alvagada disse...

Gosto do seu Blogue! Aborda temas interessantes e pertinentes que convidam à reflexão.

Alvagada disse...

Gosto do seu Blogue! Aborda temas interessantes e pertinentes que convidam à reflexão!